9ei_ea — ENCONTRO INTERNACIONAL sobre EDUCAÇÃO ARTÍSTICA ARTE E EDUCAÇÃO ARTÍSTICA: redes de resistência e transformação, 19 a 23 de junho de 2025 — ESMAE - P.Porto, FBAUP, FPCEUP

9º ENCONTRO
INTERNACIONAL sobre
EDUCAÇÃO ARTÍSTICA

redes de resistência e transformação

19 a 23 de junho de 2025 — Porto, Portugal

apresentação

ruidosos silêncios esbatem a complexidade de um tempo veloz que invisibiliza o seu passado, colonial, esclavagista e explorador, delapidador da natureza, subversivo dos relacionamentos humanos, hipoteca fechada sobre a possibilidade de futuro.

enfrentando este tempo, desde 2010 realizam-se os ENCONTROS INTERNACIONAIS sobre EDUCAÇÃO ARTÍSTICA, movimentando pessoas artistas, docentes e investigadoras de uma geografia ampla, forjando, num movimento de cumplicidade, uma mobilização partilhada de interferência e de construção de epistemologias e de ontologias múltiplas.

o 9ei_ea que se promove, com realização na cidade do Porto, Portugal, instala-se na ESMAE - P.Porto, na FBAUP e na FPCEUP, entre 19 a 23 de junho de 2025, perseguindo os mesmos propósitos dos Encontros anteriores.

finalidades

resultados desejados

datas importantes

submissões

MODALIDADES DE PARTICIPAÇÃO

Adoptam-se várias modalidades de participação e formas de comunicação:

Seja qual for a modalidade de apresentação escolhida, a participação supõe a submissão de uma Síntese da Proposta (até 600 palavras) do qual conste o título e o problema/questão/trabalho a ser apresentado, de que modo é pensada a apresentação e quais os meios usados na comunicação. Deve também ser apresentada uma breve biografia da autoria.

A submissão de propostas encerrou em 30 de novembro de 2024.

inscrições

inscrição de participantes


Link de inscrição: https://forms.gle/tKSw58n9oySS5Sio9

A inscrição tem de ser acompanhada com a partilha do comprovativo de pagamento e, no caso de estudantes, do respetivo comprovativo de matrícula.


O pagamento poderá ser feito por transferência bancária utilizando os seguintes dados:

Neste caso, eventuais despesas bancárias decorrentes da transferência, deverão ficar a seu cargo e o comprovativo da transferência deverá ser enviado para tesouraria.fbaup@sp.up.pt

Em alternativa poderá fazer o pagamento através de Paypal ou cartão de débito/crédito utilizando o seguinte link: https://www.paypal.com/ncp/payment/MADFSXTV5R2YC

programa final

Consultar a versão atualizada do programa final.

organização

instituições de acolhimento

Universidade do Porto
Instituto Politécnico do Porto

instituições parceiras (em construção)

comissão científica

comissão organizadora

imagem gráfica e identidade do 9ei_ea

imagens e animações do 9ei_ea

website design e desenvolvimento do programa digital

informações práticas

_deslocações


Viajar do aeroporto para a cidade do Porto


Viajar na cidade do Porto, para o 9ei_ea

_alojamento


A oferta de hoteis na cidade é muito grande, no entanto por ser o 9ei_ea realizado durante os festejos joaninos, as reservas devem ser feitas com a devida antecedência. Qualquer plataforma de alojamento fornece uma ótima e variada oferta. A zona da Trindade, pode ser considerada como referência, por ser central na cidade e dispor de uma boa rede de transportes.

Sendo a cidade do Porto uma cidade muito visitada por turistas, devem ser consideradas opções diferenciadas: hoteis, apartamentos, hostels, etc.

Dia 24 de junho, na cidade do Porto é dia feriado, por ser dia de S. João, o padroeiro da cidade.

A organização do 9ei_ea, prestará as informações complementares que sejam solicitadas.

Contacto

9ei.educacaoartistica@gmail.com

e por fim

MANIFESTO DO PANO QUE NOS UNE

A Educação Artística contra a indiferença e a melancolia democrática.

Reunidos num encontro internacional dedicado à arte e à educação, artistas, professores, estudantes e investigadores, firmam agora este manifesto como se de uma declaração em voz alta se tratasse, partindo de um gesto coletivo de resistência e de esperança.

Olhamos à nossa volta e reconhecemos os sintomas que no imediato nos tocam e afligem. A indiferença que se vai alastrando como doença lenta, a melancolia democrática que nos anestesia e o assalto simbólico às nossas formas de ver, de sentir e de imaginar o mundo.

Estivemos, e ainda estamos, aqui porque sabemos que o tempo exige muito mais do que análise — exige posicionamento, ação e invenção.

Por estes dias, o Porto tornou-se um território de encontro e de partilha. Das três escolas fizemos uma, e nela tivemos a permissão de tecer e entrelaçar um pano, demorando-nos calma e pacientemente sobre o melhor modo de o imaginar.

Pedimos conselhos a Penélope e ao saber antigo palestiniano, e das nossas mãos saiu um pano urdido em quatro dias, contendo mais de cem partilhas de investigação, uma dezena de conferências, uma mão cheia de manifestações insubmissas, performances e concertos. Tudo por dentro, mas também por fora deste pano. Um pano simbólico, tal como aquele que agora mesmo ainda cobre os corpos fustigados de um povo martirizado.

O que é que nos diz este pano? Que há mais verdade num tecido marcado e manchado pela guerra do que em muitas bandeiras protocolares dedicadas à paz.

Não o tomamos como apropriação, apenas como metáfora sobre uma dor séria que nos convoca, e de uma resistência que a todos nos inspira, quer a artistas, professores e investigadores.

Esse pano, tecido de luta, de memória e de força, cobre também os corpos da nossa comunidade educativa e artística, cansada, por vezes silenciada, mas viva — e decidida a manter-se viva para sempre.

Sabemos bem que quando as palavras falham, o pano fala e a sua linguagem é aquela que nos chega da persistência, da força da resistência.

O pano que invocamos neste manifesto não é um véu de ocultamento, não é um tique cultural oportuno, não é um soundbyte. É mais uma divisa feita de muitos gestos artísticos, de muitas ações educativas, de escuta ativa, hospitaleira e carregada de insurgência sensível.

Sabemos bem que quando as palavras falham, o pano fala e a sua linguagem é aquela que nos chega da persistência, da força da resistência.

Ele recorda-nos aqui que a arte é a linguagem da liberdade, que a educação é uma ação de revigoramento, e que, mesmo sob a opressão mais brutal, há – e haverá sempre (recordemos aqui Adorno e Rancière) – espaço para o gesto criador, para o sonho partilhado, e para a imaginação crítica.

Por isso, declaramos:

— Que a educação artística deve ser trincheira contra a apatia, convocando o corpo, a pele, a emoção e a criação para além do currículo burocratizado e do ensino instrumentalizado.

— Que os nossos espaços de aprendizagem devem operar sempre como zonas francas de liberdade simbólica, onde o dissenso é muito bem-vindo e o pensamento divergente é celebrado.

— Que a arte é ferramenta de imunização coletiva, não no sentido de nos blindar contra o mundo, mas de nos preparar para o habitarmos com consciência, implicação e combate face à barbárie.

— Que é urgente bloquear a invasão simbólica que reduz a multiplicidade humana a estereótipos de consumo, a meras neutralidades cínicas e a permanentes repetições conformistas.

— Que a vitalidade imaginária não é um luxo, mas sim uma condição de (sobre)vivência — e que, por isso, deve ser cultivada com radicalidade nos espaços educativos.

Proclamamos assim o direito à alegria lúcida, à indignação criativa, ao gesto poético como forma de resistência política. E tomamos aqui o pano palestiniano como imagem daquilo que nos une e daquilo que nos convoca. Eis a urgência de não sermos e estarmos indiferentes, de não nos rendermos ao desânimo democrático, e de traçarmos — juntos — horizontes de liberdade e de justiça simbólica.

Esta declaração, é simultaneamente um manifesto e um chamamento.

Que cada um de nós – palestrantes, conferencistas, performers, voluntários, ... – leve agora consigo um pedaço deste pano, como memória e como promessa: de que educar é um “faz comigo”, e a que a arte avança temerariamente na criação de mundos, e que o mundo, afinal de contas, ainda pode ser outro.

(Abraçamos agora o Paiva como gesto de fraternidade)

Pelo sensível, pela pluralidade, pela criação. Pela vida.

Texto apresentado por Mário Azevedo na Sessão de Encerramento do ei_ea
Porto, S. João 2025

relatório 9ei_ea